Sunset Boulevard

Cinema
UMA HISTÓRIA DE HOLLYWOOD
Por Mirando Clato e Paulo Efle
Quando Billy Wilder fez “Crepúsculo dos deuses” (“Sunset Boulevard”, 1950), pela Paramount, ele queria Montgomery Clift e Mae West.
Mae, com 55 anos, achou-se muito jovem para o papel da ex-estrela do cinema mudo. Ele tentou Mary Pickford. Mary achava pequena sua participação no filme, queria mais. Mais não teria.
Wilder chamou Pola Negri, que pretextou como Mae West. George Cukor disse que chamasse Gloria Swanson.
Gloria atendeu ao telefone e ouviu de um empregado do estúdio que a queriam. Para um teste, e imediatamente. Ela morava em Nova York.
Teste? Ela não fazia testes. Wilder ligou e Gloria foi áspera. Perguntou se o que ele queria era saber se ela ainda estava viva. Na verdade, Gloria havia passado por experiência semelhante uns anos antes. Atendera feliz e prontamente ao chamado de outro estúdio e em nada dera. Dera em decepção.
Montgomery Clift recusou ser o roteirista que se tornava amante da decadente estrela. Fred MacMurray, que tinha feito “Pacto de sangue” (“Double indemnity”) com o diretor também não quis. Gene Kelly, ligado à MGM, não pôde. Wilder se concentrou no cast de atores do estúdio. Ficou com William Holden. Holden não era muito popular.
O filme abria com uma conversa de cadáveres num necrotério. Onde você morreu? Morreu de quê? Em sessões-teste o filme não funcionava, riam e vaiavam, preenchiam fichas desfavoravelmente.
O diretor mudou a abertura, excluiu a cena do necrotério e deixou só um corpo boiando numa piscina, narrando em off o que lhe acontecera.
Na premiére para uma platéia vip de gente do ramo, um sujeito bradou contra o diretor. Louis B. Mayer, chefão da MGM, disse alguma coisa como um homem que desgraçava a indústria que o dava de comer.
A Sunset Boulevard do filme era uma rua badalada, onde ficavam casarões de astros e gente que prosperava, bares, clubes e restaurantes. No cartaz da época, lia-se “A Hollywood story”.
Ilmo. Senhor cultura+opinião Mirando Clato+Paulo Efle mirandoclato@ig.com.br
Escrito por Ilmo. Senhor às 12h32
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