Chandler, Bogart, Bacall...

Cinema
CHANDLER DISSE
Por Mirando Clato e Paulo Efle
Certa vez, Howard Hawks perguntou a Raymond Chandler quem havia matado o motorista, em “The big sleep”. Chandler releu seu livro e pôs a resposta num telegrama: “Não sei”.
Howard Hawks dirigiu Humphrey Bogart e Lauren Bacall na primeira versão do livro para o cinema. Houve, até hoje, apenas mais uma na verdade, com Robert Mitchum, no final dos anos 1970.
O casal Bogart e Bacall se formara dois anos atrás, em 44, filmando “Uma aventura na Martinica”, baseado num livro de Hemingway. Filme que também foi dirigido por Hawks. “The big sleep”, portanto, é de 46. O casal de astros hollywodianos se apaixonou e resolveu tudo com duas alianças. Ela com menos de vinte e ele com seus quarenta e cinco. Ela estreava no cinema em 44, fora descoberta numa revista, era modelo. Bogart já era astro desde que fez “Relíquia macabra” (“O falcão maltês” de Dashiell Hammett), em 41. Também já tinha feito “Casablanca” com Ingrid Bergman, em 42.
Ou seja, já tinha dado para garantir uma vaga distinta num bom compêndio sobre as artes e ciências cinematográficas. John Huston ajudou a transformar Bogie em astro quando resolveu refilmar uma história que já tinha sido filmada sem sucesso. Duas vezes, acho. E Huston dirigia um filme pela primeira vez. Também, não era exatamente a mesma história dos outros filmes. Naquele tempo, tudo era adaptado, reescrito, muitas vezes por várias pessoas, foi o caso das outras produções que se basearam no “Falcão maltês” de Hammett, a versão de agora era mais fiel à história original.
E Michael Curtiz dirigiu aquele filme tipo “Algiers” de 38 com Charles Boyer e Hedy Lamarr que ninguém se decidia pelo final, se o dono do nightclub ficava com Bergman ou se Bergman partia no avião com o marido. Ela partiu, o filme ficou.
Já nem sei mais se falo de Chandler, Bogart ou outro assunto. Mas entre “Relíquia macabra” e o “não sei” de Raymond Chandler a Howard Hawks, que tentava apenas elucidar um crime para que continuassem trabalhando no roteiro, Bogart rodou nove filmes.
Chandler já havia publicado quatro de seus romances quando veio Hollywood, aos cinqüenta e tantos anos, e ele conheceu o sucesso. Ele tinha sido um executivo do petróleo e foi despedido por beber além da conta. Seu primeiro roteiro foi para “Pacto de sangue” de Billy Wilder, em 44, que o contratou para que roteirizasse um livro de James M. Cain, autor também do romance que originou “O destino bate à sua porta”.
Raymond não trabalhou no roteiro de “The big sleep”, estava fazendo “The blue dahlia” para outro estúdio, que teve Allan Ladd e Verônica Lake estrelando. Uns dizem que escreveu esse completamente alcoolizado. Mas William Faulkner consta nos créditos de “Big sleep”. É tudo uma rede. Não dá para parar.
Ilmo. Senhor cultura+opinião Mirando Clato+Paulo Efle mirandoclato@ig.com.br
Escrito por Ilmo. Senhor às 20h50
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Uma atriz

Cinema
JENNIFER EHLE
Por Mirando Clato
Há uma forma razoável de se assistir um pouco mais de cinema europeu em casa: Eurochannel. Canal por assinatura, com filmes, música, séries e outros programas. E esse mês quem pode ser vista lá é Jennifer Ehle, atriz americana que está na atual programação do canal com “Wilde” (1997), cinebiografia inglesa do escritor irlandês Oscar Wilde, que tem Stephen Fry e o hoje célebre Jude Law.
O papel de Ehle é pequeno, mas ela é interessante, com uma forte expressão sutil. Também pode ter sido vista no Brasil, mais especialmente, em “Sunshine” (1999), que concorreu ao Oscar, do húngaro István Szabó, com Ralph Fiennes, e em “Possessão” (2002), de Neil LaBute, com Gwyneth Paltrow.
Em todos seu papel é modesto e seu nome não chega a aparecer em destaque nos cartazes, mas quem assiste a um filme percebe sua presença, e se lembrará dela quando tornar a vê-la em outro.
Atualmente, participa de duas produções inglesas, uma com Edward Burns. Fez muita TV, desde de 1992, e se destacou na mini-série inglesa “Pride and Prejudice” (1995), com Colin Firth, baseada em obra de Jane Austen. Estreou no cinema em “Backbeat” (1994), de Iain Softley. Ganhou prêmio de melhor atriz, em 2000, pela peça “The real thing”. Até aqui, Possessão é seu último filme pronto.
Ilmo. Senhor cultura+opinião Mirando Clato+Paulo Efle mirandoclato@ig.com.br
Escrito por Ilmo. Senhor às 06h55
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