Com que roupa?

Crônica
ROUPA
Por Paulo Efle
A roupa não devia importar tanto, serve pra dar uma relevância equívoca, uma imagem impostora, uma aura de elegância que o que a preenche muitas vezes não honra. Ficar sem roupa é o luxo.
O momento certo de ficar sem roupa, nas conveniências da sociedade, são dois: o banho e o sexo. Momentos sem roupa me agradam.
- Como é?
- Já vou.
- Eu quero que você esteja.
- Estou escolhendo a roupa.
- Não precisa escolher, é só vestir.
- Não vou vestir qualquer coisa.
- É só uma recepção sem importância.
- Então vou nua.
- Se não demorar.
- Sem roupa, tou pronta. Vamos.
- Por favor.
- Você não tem paciência!
- Perdoe-me. Mas vista-se. Sem roupa não pode.
- Não pode por quê?
- Vai chamar atenção. E eu quero passar quase incógnito.
- Então não vamos. Pra não se ser percebido, ir pra quê?
- Mas precisamos ir.
- Então não me apressa. Não sou homem. Homem veste qualquer coisa.
- Homem não veste qualquer coisa.
- Veste. Bota camisa e calça e fica homem. A mulher pra ficar mulher tem que caprichar.
- Mas eu disse que não é pra gente caprichar muito hoje.
- Não vou me vestir sem capricho.
- Então tá bom. Vem nua mesmo.
- Não. Vão pensar que é desleixo.
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De outro site

Márcia Denser
fala sobre sua volta à literatura,
sua relação com escritores e críticos
e o fardo do auto-conhecimento para ser escritora
Escrito por Mirando Clato às 06h48
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Americanizar
A publicidade faz a gente que não pode comprar coisas que não quer com o dinheiro que não tem. - Sem identificação

Artigo OS AMERICANOS Por Mirando Clato
Hoje em dia, o mundo parece estar perdido para sempre. Boa parte do mundo é americano, consome cultura americana, quer ser como o americano é. Discursos de amor às raízes por artistas célebres e esportistas notáveis são frequentes mas não mostram coerência. Na TV, no cinema brasileiro, na música, nos impressos, os modos e costumes não são ocidentais, são americanos.
Estes veículos não se identificam com sua gente. A propaganda, então, parece que nunca se identificou. Ela, além de enganar e omitir, retrata tudo que sua gente não é, não faz, não vive. E assim o fez até que passasse a moldar os hábitos e esgares dos seus passivos admiradores. A arte e a propaganda ensinam como a vida deve ser.
A propaganda veio como a alma e o mal do negócio. Uma “boa” propaganda não tem a tendência de ser honesta com o seu consumidor. E se torna quase inatacável e imune quando se utiliza da arma que todos os que tem algum talento para tal utilizam quando querem passar uma idéia sem sofrer imediata repercussão negativa: o humor.
Não há nada de errado com os americanos, afinal eles parecem ser auto-suficientes. Gostam do que produzem e são acusados por quem é de fora de quase só consumir isso e só conhecer o que nasce e morre em seu território, como se fossem alheios a tudo, alienados mundialmente.
Mas hoje o mundo se globaliza e é para ficar mais parecido com os valores deles e fácil de usar como uma lata de Coca-Cola.
Por que tudo para os sul-americanos é mais difícil, inalcançável, vergonhoso, obsoleto? É uma grande parte do mundo ocidental que quer copiar e ser como os Estados Unidos da América. O contrário só parece ser verdade quando Jennifer Lopez (a moça nasceu no Bronx) vira estrela em Hollywood, mostrando dotes raros ao território, e cineastas premiados em festivais internacionais são convidados a fazer como eles com eles, apenas pelo fetiche da assinatura.
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Crônica A MÃO MOLHADA Por Paulo Efle
Do interior, lá das bandas do Chico Bento, vem uma história pra contar. Se passou com um casalzinho que está junto desde há muito tempo. Hoje estão velhinhos – com 7 filhos, 22 netos e 11 bisnetos, até agora –, mas na época ainda tinham muito o que desenvolver.
O menino - Nunca vi estrela que não viesse do céu. Como todas as outras, deve ter sido de lá que você veio.
A menina - Obrigada.
O menino - Não quero que se sinta.
- E você, veio de onde?
- Vim da escola.
- Ah.
- Vamos namorar?
- Pra quê?
- Você não sabe?
- Não.
- Pra andar de mãos dadas.
- Só?
- Tem mais coisa?
- Deve ter.
- A gente descobre depois.
- Tá certo.
- Então dá cá a mão.
- Não aperta muito.
- Pode deixar.
- Você sua?
- Não sei.
- A minha tia Bethânia sua à beça. A mão da gente fica que parece que segurou a mão da chuva.
- A minha mãe sempre segura a minha mão com um lenço. Mas acho que quem sua é ela. Mas eu não reclamo não.
- Eu também não reclamo. Só queria saber.
Ilmo. Senhor cultura+opinião Mirando Clato+Paulo Efle mirandoclato@ig.com.br
Escrito por Mirando Clato às 01h19
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